Era uma vez uma escola…que era uma casa, que era a minha casa.
 A gente entrava de mãos dadas e regressava de peito aberto. Um-dó-li-tá…aqui quem não está livre, não está.
 Livre para viver, para aprender, para criar, para inventar, para dançar e explorar a terra, olhar as nuvens e até adormecer um caracol.
 A minha escola é como se fosse minha, mas é, na verdade, de todos, de nós todos para todos,
 inclusiva, afetiva e orientada para as crianças, para os alunos.
 Lá na minha escola eu aprendo, mas ensino tudo o que sei. Recebo e recompenso.
 Abrimos livros e deixámo-nos levar pela maré.
 Lá sou até chef-cozinheiro.
 Eu, a minha avó, o meu pai e a até a senhora Adozinda. Às quintas, a minha avó enche a cozinha de frascos que reluzem a doce de
 abóbora. Ao lado há alfaces, tomates e brócolos da nossa horta com salpicos da noite que passou.
 Eu, na minha escola, brinquei na lama e fui imperador.
 Há salas que são aquilo que quisermos, são contos de fadas sem rainhas endiabradas, são todo o mundo que cabe nos meus sonhos. E fui Romeu e Julieta, toquei tambor e pandeireta, fiz o pino e rodopiei como as bailarinas, mas daquelas que não usam sabrinas.
 Fui pele, corpo, livro e a tabuada sem nunca ter dado por nada.
 Sabes aquela hora do dia em que todos dizem que vão regressar a casa e, eu, sem saber o que fazer, pergunto só:
 “e para onde vai quem nunca abandonou a sua?".
A minha casa... INGAH!